Ceará

Mulheres deixam o preconceito para trás para se tornar engenheiras

Mostrando muita competência, aos poucos elas mudam o cenário predominantemente masculino dos cursos de Engenharia.

Lugar de mulher é onde ela quiser. A prova disso é que, cada vez mais, elas ocupam espaços considerados masculinos. No dia 23 de junho se comemora o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia e não são poucas as mulheres que decidiram abraçar profissões antes dominadas pelos homens.

Com nove cursos de graduação voltados para a área de engenharia, a Universidade de Fortaleza celebra suas 1.084 alunas, futuras engenheiras. O número de estudantes atualmente matriculadas é bem próximo ao número de engenheiras já formadas pela Instituição nos seus 44 anos: 1.293 mulheres, o que evidencia a ampliação da participação feminina nos cursos.

A Engenharia Civil é o curso que concentra o maior número de alunas. São 493 atualmente matriculadas e o histórico de 911 graduadas. As garotas são destaque positivo para o Centro de Ciências Tecnológicas (CCT): de acordo com a professora Lia Maria Frota, do Programa Tutorial Acadêmico (PTA), cerca de 40% dos integrantes do Programa de Formação de Líderes são do sexo feminino.

“São todas alunas extremamente engajadas e dedicadas aos cursos”, afirma a professora, que integra o corpo inteiramente de mulheres do PTA e de Assessoria Pedagógica. Quebrando barreiras e estereótipos, estas mulheres provam que estão com tudo para dominar o mercado.

Ana Carolina Emídio Queiroz tem 30 anos e está no 9º semestre do curso de Engenharia de Produção. “Decidi cursar por sempre gostar muito de matemática e física na escola, então não vi outra saída além de fazer Engenharia. Nunca tive dúvidas e me encontrei nela. A melhor parte é solucionar problemas. Aplicamos as ferramentas nas empresas, melhorando o desempenho, diminuindo custos e aumentando lucros”, explica.

Ela conta que nunca sentiu dificuldades dentro da Universidade pelo fato de ser mulher em um curso de maioria masculina. “Os meninos sempre respeitam muito a gente, nos tratando como iguais e sem nenhum preconceito de achar que sabemos menos do que eles. Só tive dificuldades em ambiente de trabalho, mas na sala de aula, dentro da Universidade, não há desrespeito nenhum”.

O ambiente universitário, contudo, pode ser diferente do profissional, onde mulheres ainda precisam provar que são tão boas quanto os homens, especialmente em profissões de maioria masculina. Contudo, a competência serve para descontruir tais preconceitos. “No estágio, às vezes, eu sofria preconceito de engenheiros que tinham muito tempo no mercado de trabalho, mas demonstrei que sou muito boa. Quando resolvi sair de um dos meus estágios, muita gente pediu para que eu ficasse”, conta a estudante.

Para Rayssa Cortez Braga Maia, 22 anos, que faz o 7º semestre de Engenharia Mecânica, “está caindo muito o preconceito de que é algo masculino. Quantas vezes eu falei que queria estudar Mecânica e disseram ‘Ah, mas você vai fazer isso para mexer com carros? É tão masculino!'. Eu achava que, quando entrasse no curso, sofreria muito com essa questão, mas na verdade me tratam como igual e isso se deve muito pelas mulheres demonstrarem muito potencial de trabalho e serviço”, acredita.

Muitas vezes únicas mulheres nas salas, elas só imaginam a realidade de tempos atrás, que aos poucos vai mudando. “Meu tio também fez Engenharia Mecânica e disse que na turma dele havia apenas uma menina. Na minha tem cinco! Em algumas disciplinas eu ainda sou a única, mas está ocorrendo um aumento nesses números durante os últimos anos e nunca me senti excluída no curso. O tratamento entre os alunos sempre foi igual”, atesta Rayssa.

“Estamos conquistando esse espaço, forçando a barra. E vamos forçar! As mulheres estão sim dispostas a enfrentar desafios e a Engenharia é desafiadora”, finaliza Ana Carolina.

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