Ceará

PF estima que fraude em financiamentos rurais gerou prejuízo de R$ 20 milhões

Quadrilha fraudava financiamentos rurais. Prejuízo de transações realizadas em 24 cidades é estimado em R$ 20 milhões. Foram presas 15 pessoas temporariamente.

A Polícia Federal desarticulou organização criminosa que teria fraudado financiamentos rurais em 24 municípios do Ceará, causando prejuízo estimado em R$ 20 milhões aos cofres da União. A operação Gremlins II, deflagrada na manhã de ontem, prendeu 15 pessoas temporariamente. Conforme a PF, o gerente-geral da agência do Banco do Brasil na Parquelândia, em Fortaleza, além de um agropecuarista, que seriam os líderes da quadrilha, estão entre os capturados.

Expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal na Capital, foram cumpridos ainda 28 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de condução coercitiva em Cascavel, Morada Nova, Quixeramobim, Maranguape, Ipu e Aquiraz. Neste último, O POVO apurou que foi preso o ex-vereador Francisco José Cavalcante de Sousa (PT), que teria cooptado mutuários para o esquema, praticado desde 2012. Um mandado de condução também foi cumprido no estado do Mato Grosso.

Nas cidades citadas, foram aplicadas as fraudes mais volumosas, um prejuízo de R$ 6 milhões. As demais cidades onde os crimes foram registrados não foram reveladas pela PF. Elas serão alvos de novas fases da investigação. Em todas, empréstimos foram obtidos através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), contratados junto ao BB. Os valores variavam de R$ 30 mil a R$ 49 mil.

Os recursos deveriam ser empregados na compra de bovinos ou custeio dos rebanhos. Entretanto, a verba acabava sendo utilizada para enriquecer, ilicitamente, os investigados. Entre eles, há funcionários e ex-funcionários do BB, produtores rurais, empresários e técnico-projetistas. O grupo teve bens e contas bloqueados e imóveis sequestrados. As informações foram concedidas durante entrevista coletiva na sede da Superintendência Regional da PF, no bairro Aeroporto.

“Com a evolução da fraude, eles deixaram de contar com pequenos produtores rurais e passaram a cooptar pessoas de extrema pobreza, que emprestavam o nome, mediante pagamento de R$ 3 mil, R$ 7 mil. Todos são partícipes e ingressavam de forma consciente. Também serão indiciados”, destacou.

O delegado detalhou que a investigação começou em 2016, após notícia-crime ser apresentada pelo Banco do Brasil. Ao todo, 195 operações são consideradas suspeitas. O grupo será indiciado por fraude na obtenção de financiamentos, gestão temerária e fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Saiba mais
A ação é continuação da Operação Gremlins, deflagrada em 24/11/2015, para combater fraudes em financiamentos do Banco do Nordeste (BNB), no Vale do Jaguaribe. Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária e um de busca e apreensão, em Russas e Limoeiro do Norte.

O nome da operação faz alusão a um ser fantástico do cinema que sozinho é inofensivo, mas passa a ser perigoso quando se prolifera.

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