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Explosão é causa mais provável para submarino ter desaparecido

A Armada Argentina (Marinha de Guerra) confirmou ontem um ruído compatível com uma explosão na área do Oceano Atlântico onde se encontrava o submarino "ARA San Juan", desaparecido com 44 tripulantes a bordo desde 15 de novembro. 

Tratou-se de "um evento anômalo, singular, curto, violento e não nuclear consistente com uma explosão", afirmou o porta-voz da Armada, Enrique Balbi, em coletiva de imprensa em Buenos Aires.

Questionado por um jornalista, admitiu que houve "uma explosão" nessa zona do Atlântico. 

O relatório coincide com a informação recebida dos Estados Unidos na quarta-feira (22) a respeito de uma "anomalia hidroacústica detectada na quarta-feira, 15 de novembro, às 10h31 (mesmo horário em Fortaleza), cerca de três horas após a última comunicação do ARA San Juan" com sua base. 

A notícia provocou reações de angústia e revolta na base naval de Mar del Plata, 400 km ao sul de Buenos Aires, onde os familiares foram informados antes da coletiva de imprensa. 

Alguns choravam enquanto outros se abraçavam, desconsolados. "Sinto-me enganada! São perversos e nos manipularam", reagiu enfurecida Italí Leguizamón, advogada e esposa de um tripulante, ao sair da base. "Não nos disseram que estão mortos, mas dizem que o submarino está a 3 mil metros (de profundidade). O que se pode entender?!", declarou. "Nem terminaram de ler (o relatório aos familiares), a gente saltou" nas autoridades, relatou. 

A confirmação da explosão se deu por meio de um relatório do embaixador argentino da Áustria. "O embaixador também é membro de uma organização de controle de testes nucleares que conta com uma rede para detectar a realização de testes nucleares", segundo indicou o porta-voz da Armada. 

A confirmação de uma explosão coincide com as hipóteses levantadas de que o submarino sofreu um acidente repentino logo após sua última comunicação, quando avisou a base sobre uma avaria nas baterias.

Uma explosão repentina em imersão poderia explicar a ausência de sinais de emergência, como liberar balsas, ou radiobalizas para ajudar no resgate, como indicam os procedimentos navais habituais. 

A explosão aconteceu no último dia 15, "30 milhas ao norte de onde foi feito o contato e no caminho para Mar del Plata", segundo Balbi.

Com a participação de 13 países, incluindo o Brasil, as buscas na superfície e em profundidade não apresentaram resultados, apesar das várias pistas apontadas e depois descartadas. 

Tragédia familiar
"É a primeira vez que venho à base (naval) e acabo de saber que sou viúva", declarou, aos prantos, Jessica Gopar, esposa de um dos tripulantes do submarino desaparecido, Fernando Santilli. Ele é eletricista.

"Foi meu grande amor, tínhamos sete anos de namoro, seis de casamento e temos um filho, Stefano, que custou muito até que Deus nos enviasse", declarou. 

O filho do casal tem apenas um ano e acabou de aprender a dizer 'papai' durante sua ausência, de acordo com uma carta postada no Facebook de Jessica.

"Todos morreram, foi a primeira coisa que pensei", disse sobre o momento em que soube da explosão. 

Tinha em suas mãos um cartão manuscrito com a fotografia de seu filho trazido para deixá- lo na entrada do prédio naval, preenchido com mensagens para a tripulação. 

Jessica afirmou que antes da terrível notícia, "deram-me um copo de água e um comprimido para a pressão". 

"Não irá me servir de nada uma placa que diz 'os heróis de San Juan'", declarou antes de se afogar novamente em lágrimas.

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