Ceará

Temperaturas tendem a subir cada vez mais

Principais fatores são a poluição, a utilização de combustíveis fósseis e a falta de políticas para as energias renováveis

O assunto não é novo, mas vem intensificando problemas relacionados à seca e ao aumento da temperatura no Ceará. Segundo projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) temperaturas que eram para ser atingidas em 2050 estão subindo de forma rápida. O principal fator é a poluição, aliada à utilização de combustíveis fósseis e à falta de políticas voltadas para as energias renováveis. O tema "Mudanças climáticas" foi foco do Encontros Universitários 2017 ministrado pelos professores José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Edmo Campos (UFC/USP) e o professor Waldir Mantovani (UFC/USP), no Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), no bairro Pici. O evento ocorreu na manhã dessa sexta-feira (10).

José Marengo, climatologista membro do Cemaden, aponta que se a temperatura global subir 2°C já em 2050, as secas prolongadas e as chuvas intensas podem virar rotina. "O Semiárido do Nordeste é muito vulnerável. Em termos de situações extremas e até de secas, estados do Sul e do Sudeste do Brasil são mais ainda". Na avaliação do profissional, com o Nordeste mais quente, impactos serão mais visíveis com enxurradas, deslizamentos de terra, inundações, destruição de biomas, além do agravamento da seca. 

"As regiões mais vulneráveis à seca estão ao Sul do Ceará. As regiões do Norte também poderiam ser atingidas, mas por intempéries diferentes como ressacas e tempestades. Os extremos estão mudando não só no Brasil como em todo o mundo. A seca atual é mais efeito do Oceano Atlântico Tropical Norte. Em 2015, tivemos um El Niño que agravou a situação, mas logo acabou e a seca continuou", aponta Marengo. Para o especialista, é preciso observar os sinais de monitores como o da seca. "Os índices de 2012 já mostram situações que não esperaríamos nessa década. Para 2018, ainda é muito cedo para falar de clima. Em dezembro faremos essas previsões".

Monitoramento 
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) ainda não faz um acompanhamento especifico para o aumento ou redução da temperatura do Estado. "Recebemos estudos de diversas instituições internacionais sobre temperatura. Os especialistas internacionais afirmam que o Oceano Atlântico absorve o calor atmosférico resultante do aquecimento global e tem uma tendência de se mostrar mais aquecido. Uma previsão de clima no momento não é segura. O Oceano está neutro. O Atlântico até o início da quadra chuvosa é variado, diz o meteorologista Raul Fritz. 

Para o mês de dezembro, o meteorologista informa que o sol está mais voltado sobre o Hemisfério Sul. "Teoricamente, esse calor aqueceria o Oceano Tropical Sul. Só que a forma que as águas reagem não são simples. Ele demora a reagir a esse aquecimento. Correntes e turbulências podem demorar esse processo. Isso poderia facilitar a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), trazendo mais chuvas. Uma tendência geral, mas que nem sempre ocorre de forma ideal. Perto do outono do ano que vem temos essa confirmação", diz Fritz. 

Ações 
Durante a comemoração de 20 anos do Projeto Pirata, na manhã dessa sexta-feira (10), no Porto do Mucuripe, foi assinado um convênio de cooperação entre a Secretaria do Desenvolvimento Agrário e a Funceme para, através do Projeto São José III, serem adquiridos 54 sensores eletrônicos para boias Atlas, que ajudarão no monitoramento do Oceano Atlântico. O contrato com a empresa Sea Bird Eletronics Inc para aquisição dos sistemas totaliza US$ 349,191,00 (R$ 1.330.417,71), que serão financiados pelo Banco Mundial através do Projeto, beneficiando todo o Estado do Ceará.

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