Ceará

Área da Saúde teve corte de R$ 150 milhões em 2017

Ciente dos diversos problemas enfrentados pelos hospitais, o Conselho Estadual de Saúde (Cesau) também cobrará esclarecimentos do Governo. Segundo Laciana Lacerda, membro do Cesau e integrante da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE), o ano de 2017 teve um corte de R$150 milhões na área da Saúde. Dinheiro que faz falta no gerenciamento do setor, visto que, por exemplo, um transplante de coração tem custo médio de R$500 mil, de acordo com a advogada. 

Dentre as medidas, o Conselho de Saúde pedirá a revisão de editais de pregão e de licitação para que se possa penalizar quem não mantém o abastecimento dos hospitais, conforme Laciana. Além disso, fiscalizará o orçamento estadual para a saúde, verificando se há repasses financeiros sem a apreciação do Conselho. "Vamos nos reunir com o Ministério Público Estadual e com o Ministério Público Federal para encontrar uma solução viável", afirma a advogada.

"É um problema grave, mas, infelizmente, a população não deixa de adoecer. A Saúde deve ser garantida por políticas públicas. Não podemos prever o futuro, mas, diante de uma crise, podemos pedir o injetamento do dinheiro necessário. O olhar para a saúde não pode cessar", destaca Lacerda, lembrando que "saúde não tem demanda fixa". A Assessoria de Comunicação da Sesa informou que o orçamento do setor ainda não foi fechado neste ano, por isso não seria possível estabelecer um comparativo com o ano de 2016. 

Desabastecimento 
Além disso, Laciana denuncia o desabastecimento de insumos e medicamentos em hospitais da rede estadual. No Hospital Geral de Fortaleza (HGF), por exemplo, segundo o presidente da Associação dos Médicos da unidade, Jaime Benevides, os serviços de cirurgia sofrem baques há, pelo menos, quatro meses. Atualmente, alguns procedimentos chegam a ser suspensos pela falta desde materiais básicos, como esparadrapos e seringas, a remédios e equipamentos complexos para a realização de exames e quimioterapia. 

"O material chega, dá para alguns dias e depois falta de novo", comenta o médico. Para Benevides, a Secretaria Estadual da Saúde não tem cumprido a parte dela na gestão desses processos. "Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso, mesmo que não seja gestor, deve saber que esses insumos não podem faltar", defende. 

"Falta até algodão", revela a acompanhante de um paciente internado no HGF, que não quis se identificar. "Uma enfermeira mesma disse que falta um monte de coisas: luva, papel toalha", conta outra mulher que dá suporte à mãe há 15 dias. Quando chegou, a idosa precisou realizar exames que só foram liberados dias depois por falta de material, segundo a filha.

"A família precisa comprar medicamento por fora", explica outra mulher que está na unidade há 20 dias e também preferiu o anonimato. "Fora isso, a gente tem que andar 'de bandinha' porque é o tempo todo lotado".

Segundo o último levantamento do Corredômetro das Emergências, elaborado pelo Sindicato dos Médicos do Ceará em conjunto com a Associação Médica Cearense, no último dia 30 de novembro, havia 131 pessoas alocadas em macas nos corredores do HGF.

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