Ceará

Produção de mel sofre queda de 45% em todo o Estado

O ciclo de seis anos seguidos de chuvas abaixo da média afetou a produção de mel de abelha no sertão do Ceará, uma importante atividade econômica para a agricultura familiar. A Federação Cearense de Apicultura (Fecap) aponta queda sucessiva entre 2012 e 2017, de 45%. O Estado chegou a produzir seis mil toneladas de mel em 2011, liderando o ranking nacional. Apesar das dificuldades, os apicultores e técnicos do setor estão animados e acreditam em uma retomada do setor a partir do próximo ano. 

Neste ano, as negociações de mel do mercado interno e externo junto aos produtores foram concluídas em outubro com um preço médio de R$ 12 por quilo. Atualmente, oscila em torno de R$ 9,50. O valor ainda é considerado positivo, permitindo renda extra para cerca de 8.500 famílias no Interior cearense.

O mercado brasileiro e internacional é favorável ao setor, que produz bem aquém da demanda. O Brasil produz 46 mil toneladas de mel de abelha por ano e a produção tem sido
crescente nos últimos anos. Desse total, 52% estão voltados para a exportação. Os dados são da Confederação Brasileira de Apicultores. Os diretores da entidade mostram otimismo
com a atividade e a resistência dos apicultores, apesar das dificuldades.

Vantagens
O presidente da Confederação Brasileira de Apicultores, José Soares de Aragão Brito, demonstrou as vantagens da atividade, que dá renda complementar em um primeiro momento e, depois, pode ser a principal receita do agricultor familiar. “Temos uma elevada demanda mundial por mel de abelha, o preço é muito bom, e, se houver investimento na qualidade, há grandes possibilidades de aumento da receita. É preciso ampliar a produtividade”, pontuou. 

Aragão defendeu o uso de tecnologias na atividade e disse que é possível dobrar a produção sem aumentar uma colmeia. “Há técnicas de manejo conhecidas, dominadas e, por isso, incentivamos a realização de seminários para orientar e motivar os produtores de mel de abelha”, frisou o dirigente nacional.

Recentemente, mais de 100 apicultores da região Centro-Sul participaram, em Iguatu, do 3º Seminário de Apicultura, promovido pelo escritório regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O evento faz parte do Projeto Apicultores dos Sertões de Crateús e do Centro-Sul. “O nosso foco é para a gestão dos negócios para que os apicultores produzam melhor, com menor custo e tenham mais resultados”, disse a coordenadora de Apicultura do Sebrae na região Centro-Sul, Tuany Holanda. 

Crescimento
De acordo com dados do escritório regional do Sebrae, no Centro-Sul, 160 apicultores são atendidos pelo programa em 11 municípios. A produção de 2016 foi estimada em 290 toneladas e, neste ano, aumentou para 320t. “São sinais de crescimento do setor”, frisou Tuany Holanda. “O programa do Sebrae dá orientação para melhoria da atividade, implantação de tecnologia e gestão do negócio, por meio de associações de produtores”.

No Centro-Sul, foram vendidas 350 toneladas a R$ 12 o quilo, resultando em um valor total de R$ 3,2 milhões, por meio de rodadas de negociações, favorecendo centenas de apicultores. “O preço esteve muito bom e o mercado é promissor”, observa o agrônomo e empresário do setor, Odério Lima. Ele demonstrou a possibilidade de irrigação de pés da jurema preta (mata nativa da Caatinga) para assegurar ampla produção de mel. “Bastam 750 litros de água em cada pé, considerando duas plantas por apiário”, demonstrou.

A expectativa é que o crescimento da atividade seja retomado a partir de 2018, com consolidação em 2019. Os apicultores esperam boas chuvas nos próximos anos e florada favorável às colmeias. As regiões Sertão Central, Cariri e Vale do Jaguaribe são as maiores em de mel, detendo cerca de 80% de toda a produção do Estado.

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