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Papa Francisco diz temer que guerra nuclear possa ocorrer

Francisco dá início a sua 22ª viagem ao exterior, sendo a sexta vez pela América Latina, sem incluir sua terra natal

O papa Francisco reconheceu que tem medo de que um incidente desencadeie uma guerra nuclear. 

"Estamos no limite", confessou, ontem, aos jornalistas que o acompanham a bordo do avião que o leva ao Chile, a primeira etapa de sua viagem que inclui também o Peru.

"Sim, realmente tenho medo. Estamos no limite. Basta um incidente para desencadear a guerra. Não se pode correr o risco de que a situação precipite. Portanto, é preciso destruir as armas nucleares", enfatizou. Francisco fez esses comentários após distribuir aos 70 jornalistas que o acompanham no voo uma foto tirada em Nagasaki depois da explosão da bomba atômica em 1945. A foto, cuja legenda é "fruto da guerra", é a mesma que a assessoria de imprensa do Vaticano publicou poucas horas antes de terminar 2017, e na qual se vê um menino que espera numa fila segurando o corpo de seu irmão morto pela explosão para que possa ser cremado. 

"É uma imagem feita pelo fotógrafo americano Joseph Roger O'Donnell depois do bombardeio atômico em Nagasaki. A tristeza do menino se expressa em seus lábios mordidos e cobertos de sangue", explicou o pontífice. 

América Latina 
Esta é a 22ª viagem do papa ao exterior, com destino ao Chile, onde fica de 15 a 18 de janeiro, e ao Peru (18 a 21 de janeiro). 

Durante sua permanência no Chile, se reunirá com autoridades, comunidades indígenas, religiosos e pessoas carentes, em Santiago, Temuco (600 km ao sul de Santiago) e Iquique (1.800 km ao norte). O papa argentino, de 81 anos, volta a um Chile muito diferente do que conheceu em seus anos de seminarista, nos anos 1970. A presidente Michelle Bachelet e três crianças que entregaram ao pontífice um buquê de flores receberam o papa ao pé das escadas do avião, assim como membros da Igreja e outras autoridades. Apesar da recepção calorosa, sua visita ao Chile também poderá ser marcada por manifestações de associações de vítimas de abusos sexuais por parte de padres. 

No Peru, onde ficará de 18 a 21, o papa encontrará um país em plena crise política, depois do polêmico indulto concedido pelo presidente Pedro Pablo Kuczynski ao ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por crimes contra a humanidade, o que desatou uma onda de protestos. 

Esta é a sexta viagem do papa à América Latina, depois do Brasil (2013), Equador, Bolívia e Paraguai (2015), Cuba (2015), México (2016) e Colômbia (2017). 

Ao sobrevoar a Argentina, seu país natal, que em quase cinco anos de pontificado evitou visitar, Francisco abençoou o país, gesto que foi elogiado pelo presidente Mauricio Macri. 

Rejeição chilena

Desafios de Francisco
O papa Francisco chega ao Chile ciente de que não é um campeão de popularidade por ali. Segundo o instituto Latinobarómetro, trata-se do país latino-americano onde menos se confia neste pontífice, e na Igreja Católica, em geral, com só 45% dos chilenos se declarando católicos -o índice caiu cerca de 20 pontos percentuais desde 2010. 

A Igreja chilena afirma que há mais de 13 milhões de católicos no país, ou seja, 74% da população. Mas pesquisas como as do Latinobarómetro e outra, de 2014, a Pesquisa do Bicentenário, indicam que esse número estaria agora em torno de 59%. 

A queda se acentuou após a divulgação, em 2010, com intensa repercussão midiática, dos crimes de pedofilia do então sacerdote Fernando Karadima, 87 anos, um dos religiosos mais importantes do país. O Vaticano realizou uma investigação e o considerou culpado de 75 casos de abusos.

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