Ceará

Reforma da Praça Padre Cícero preocupa comércio em Juazeiro

Com ordem de serviço assinada no dia 29 de dezembro, a reforma da Praça Padre Cícero começou na última segunda-feira (8), com o isolamento do equipamento. No entanto, a obra, orçada em R$ 4,5 milhões, é vista como ameaça pelos comerciantes que hoje trabalham no local. Desde que souberam da mudança, eles se mobilizam para não serem prejudicados durante o ano em que o equipamento ficará fechado. 

Na última sexta-feira (5), os permissionários se reuniram com representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente e Infraestrutura. Da conversa, surgiu o acordo de só saírem do local após a Romaria das Candeias, no dia 5 de fevereiro. No entanto, esta medida só valerá para quem possui o comércio dentro da Praça Padre Cícero.

Segundo o comerciante Rafael Nascimento, os representantes garantiram que eles poderiam vender no entorno na praça e que o desejo é retornar ao local após o fim da reforma. "Muitas coisas vão melhorar para nós e teremos que nos adequarmos". 

Por outro lado, a Prefeitura ainda não deu nenhuma garantia de que o comércio deles voltará à Praça Padre Cícero após a reforma. Além disso, os comerciantes estão preocupados com as vendas no período da obra e aguardam o retorno do prefeito Arnon Bezerra, licenciado até o fim do mês, para se reunirem e buscar algum apoio.

"A gente não tem outro local. Essa é a realidade. Aqui estão nossos clientes. Vai ser um ano difícil", explica Rafael. Por outro lado, o comerciante entende a importância da reforma para a população, os romeiros e também para eles. "A praça está abandonada. Aqui sempre foi o cartão-postal. É onde as pessoas vêm quando termina a missa, num passeio com a família". 

Para o permissionário Luiz Carlos dos Santos, que há dez anos vende comida na Praça, a reforma sobressai os problemas que eles irão enfrentar. "Vai ser melhor, só que vai ser outro tipo de comércio, tipo food truck. Nesse período, vai diminuir a produção, porque vamos nos readaptar aos carrinhos de antigamente. Só por trabalhar por conta própria já é bom", acredita. 

O mototaxista Reginaldo Vieira vê com bons olhos a reforma, mesmo afetando o número de clientes, já que a circulação de pessoas diminuirá no local. "Não tem como não impactar. Vai afetar todo mundo. Os camelôs, os mototaxistas, os taxistas. Será um deus nos acuda para todo mundo. Mas essa praça está entregue às baratas. O projeto é excelente", admite. 

Já a empresária Maria das Dores Landim, que possui um restaurante na Rua São Francisco, em frente ao local, acredita que a obra deveria começar depois da Romaria das Candeias, pois, até dia 2 de fevereiro, o centro da cidade lota de romeiros. "Com a praça fechada, vai ser difícil as pessoas sentarem, curtirem, conversarem. Para mim, tudo bem, eu posso vender. Agora, os romeiros não vão gostar. Juazeiro é sustentada por eles", diz. 

Segundo a Secretaria de Infraestrutura, os permissionários poderão, durante a reforma, utilizar os espaço do entorno da Praça Padre Cícero ou a Praça do Memorial Padre Cícero, a poucos metros dali. Desta forma, o comércio será menos afetado. Após consenso com a empresa responsável pela obra, as barracas fixas, em cima da praça, poderão permanecer até o dia 5 de fevereiro, tempo necessário para que os proprietários se programem quanto à realocação.

A obra 
A reforma busca resgatar conceitos originais do espaço histórico. Tem investimento federal, estadual e municipal. Ela prevê a criação de uma área de convívio com bares e restaurantes, no local onde atualmente se encontra o terminal rodoviário, que será realocado. Sua revitalização, numa área de 3.143, 11 m², terá diversas intervenções, como nova pavimentação, mudança do layout, iluminação, paisagismo.

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