Ceará

Ceará ainda não recebeu reforço federal na Segurança; Camilo Santana vai cobrar de Temer

O presidente da República prometeu ao governador enviar policiais para combater o crime organizado

O governador Camilo Santana cobrou a principal promessa feita pelo presidente da República, Michel Temer, durante uma reunião ocorrida há uma semana: o envio de uma força-tarefa da equipe de Inteligência da Polícia Federal (PF) para combater o crime organizado no Ceará. A declaração do chefe do executivo estadual foi dada na solenidade de inauguração de uma escola, em Fortaleza, ontem.

De acordo com Camilo, nenhum profissional da Segurança Pública foi enviado ao Ceará ainda, uma semana depois da promessa de Temer. "Eu tentei hoje (ontem) pela manhã ligar para o presidente da República, até para cobrar o resultado da minha reunião na última terça-feira, lá em Brasília. Até agora não tivemos a força-tarefa, o reforço da Polícia Federal. Vou tentar me comunicar com ele", revelou. 

O Ceará vive uma das suas piores crises da Segurança Pública. Além do ano de 2017 ter terminado com aumento de mais de 50% no número de homicídios, com o total de 5.134 assassinatos registrados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o Ceará teve um início de 2018 sangrento. 

O acirramento da guerra entre as facções criminosas levou à maior chacina já ocorrida no Estado, com 14 pessoas executadas na casa de shows 'Forró do Gago', localizada na Comunidade do Barreirão, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, no dia 27 de janeiro. Dois dias depois, um confronto armado na Cadeia Pública de Itapajé, terminou com dez presos mortos. 

Diante da crise, o governador procurou ajuda do Governo Federal. Uma reunião entre o presidente; o governador; o senador Eunício Oliveira; o presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Gladyson Pontes; e o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Zezinho Albuquerque, selou a promessa do envio de uma força-tarefa.

Após a tratativa, Santana havia afirmado que o envio do reforço da Polícia Federal seria imediato. "O presidente foi muito solícito. Já autorizou de imediato uma força-tarefa, com um grupo especializado da Polícia Federal para o Ceará, para trabalhar a questão da Inteligência. E ficou de avaliar todos os outros pontos solicitados na audiência", ressaltou. 

O chefe do executivo do Ceará também afirmou que pretende falar com Temer sobre uma nova reunião, dessa vez com a presença dos outros governadores do Nordeste. Novamente, em pauta, questões ligadas à Segurança Pública. 

"O próprio ministro (da Justiça) falou que esse é um problema Federal, da União. É um momento que eu venho defendendo a construção de um sistema de Segurança Pública, construção de um planejamento, ter um fundo com recurso, proteger as nossas fronteiras", alegou o governador do Ceará, durante a solenidade ocorrida na Capital. 

Facção
O atentado ao 'Forró do Gago' foi cometido pela facção local Guardiões do Estado (GDE). Criada há dois anos, a organização criminosa tem deixado rastros de violência e crueldade, principalmente nas ruas de Fortaleza e na Região Metropolitana.

Travando uma guerra sangrenta com o Comando Vermelho, seu antigo aliado, a GDE coopta jovens e adolescentes para a linha de frente de suas ações. Tem unido criminosos que antes agiam de forma aleatória, em ações orquestradas. "No começo parecia baderna, confusão, ou o que chamamos aqui de 'pirangagem'. Hoje, sabemos que não. A GDE é violenta em sua matriz. É o jeito deles de agir e é isso que nos preocupa. São muito violentos, quase radicais, terroristas. Estão usando esses jovens, prometendo a eles uma vida boa dentro do crime, mas a única coisa que pode oferecer de verdade a eles é a morte", afirmou um policial da Inteligência da SSPDS. 

Cobrança estadual
Enquanto o governador cobra um Plano de Segurança Nacional ao Governo Federal, o Conselho Estadual de Segurança Pública (Consesp) continua cobrando um plano de Segurança Pública ao Estado para 2018. A instituição faz a cobrança desde o início deste ano, após 2017 terminar com uma explosão no índice de homicídios. A SSPDS alega que já apresentou o plano, ainda no ano passado, mas o documento não é aceito pelo Conselho. 

Para a instituição, o Estado e, principalmente, a Capital vivenciam um medo coletivo, que modifica a rotina dos cearenses.

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