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Inclusão da atleta de vôlei transexual Tiffany Abreu gera discussão inflamada

Inclusão da atleta de vôlei transexual Tiffany Abreu gera discussão inflamada pelas indefinições no esporte
Em dezembro de 2017, a goiana Tiffany Abreu, de 33 anos, foi contratada pelo Vôlei BauruSP e se tornou a primeira jogadora transexual a atuar na Superliga feminina. A Federação Internacional de Voleibol (FIVB) deu o aval para a atleta competir profissionalmente entre mulheres cisgêneros - aquelas que se identificam, em todos os aspectos, com o seu "gênero de nascença". Dois meses se passaram e o aprofundamento nesse diálogo de transgêneros faz com que a sociedade civil se depare com diversas facetas: da inclusão à justiça no esporte.
Segundo a Resolução do Comitê Olímpico Internacional (Coi), de 2016, atletas transgêneros podem participar de competições da entidade. Enquanto os homens trans competem sem nenhuma restrição, as mulheres precisam apenas ter a quantidade de testosterona controlada - 10nmol/L, para competirem em equipes femininas, além da cirurgia de redesignação de sexo não ser mais necessária. Cirurgia que Tiffany fez em 2014, na Itália, antes de atuar no Golem Palmi, time da segunda divisão local. Tais mudanças fizeram o mundo esportivo voltar os olhos para esses participantes.
Recordes
Tiffany Abreu vem batendo recordes na temporada 2017/18 da Superliga e figura como a maior pontuadora com 211 pontos em 39 sets disputados, média de 5,41. A segunda colocada, a atacante da seleção brasileira, Tandara, tem média de 5,07, com 385 pontos em 76 sets disputados. Além disso, a jogadora de 1,92m bateu o recorde de pontos em um jogo de vôlei no Brasil, virando 39 bolas. A última marca era da atacante do Osasco que, na temporada 2013/14, ainda no extinto Amil-SP, fez 37 pontos.
Uma das grandes interrogações é como a inclusão de transgêneros deve acontecer no esporte. Nas modalidades disputadas por homens, não se discute a sua participação. Entretanto, nas categorias femininas, levanta-se o debate, principalmente, por conta da desigualdade de força.
Para o professor universitário e médico endocrinologista com experiência no tratamento de pacientes com distúrbio de identidade do gênero, Marcelo Hissa, não existem limites genéticos determinados de forma precisa para estabelecer diferentes categorias. "Na realidade só existem duas categorias baseadas em genética: masculina e feminina. A única genética que importa é a presença ou não do cromossomo Y. Essa é a única alteração mensurável para o estabelecimento de como será a constituição corporal de um indivíduo. Claro que a genética contribui bastante, como pessoas que têm a tendência a ter ombros mais largos para a natação, estatura maior para o basquete ou vôlei, capacidade pulmonar para a maratona, explosão muscular para o atletismo. Mas esses fatores são tão variáveis e de difícil avaliação que não são utilizados para criar diferentes categorias fora àquelas que utilizam o sexo e a idade (e algumas para o peso como lutas em geral)", falou.
O professor ainda especificou alguns outros fatores que são importantes a serem observados sobre o assunto e dá como exemplo as competições paralímpicas em que pessoas com acometimentos absolutamente diferentes são colocadas em condições de disputa através de tabelas classificatórias de limitações. "Alguns atletas são muito mais capacitados em outros em Paralimpíada.
O que se faz, na realidade, é a avaliação individual de cada atleta a fim de tentar selecionar semelhantes para a mesma categoria, diminuindo diferentes capacidades. Mas todos nós sabemos que essa avaliação pode ser falha, principalmente quando lidando com alterações tão específicas e de difícil julgamento", concluiu.
Desempenho
A ciência e as pesquisas demonstram que os melhores desempenhos esportivos em atividades que exigem do físico são de pessoas que nascem com características sexuais masculinas.
"A composição masculina favorece as atividades físicas em quase 100% dos esportes em relação às mulheres. É fisiológico, a influência dos hormônios em ossos, músculos, tendões, capacidade pulmonar, cardíaca", comentou.
Com diversas características genéticas do ser humano, a plena justiça e equilíbrio competitivo ainda caminham lentamente, independentemente de gênero. Para o professor, pesquisas científicas deverão ser realizadas para a obtenção de dados científicos diretos e consistentes para justificar vantagens e desvantagens. "Esse tema é recente em nossa sociedade, nosso conhecimento apenas engatinha sobre efeitos hormonais, principalmente quando usados a longo prazo em atletas transexuais. As implicações nos esportes são desconhecidas ainda, por isso acho fundamental não nos precipitarmos e esperar resultados de novos estudos para estabelecer regras bem embasadas para atletas transexuais. Politizar a questão é improdutivo e pode criar injustiça no esporte", declarou o médico Marcelo Hissa. ( Por Ideídes Guedes)
Alcance no ataque
As jogadoras de vôlei que sobem mais alto no mundo
1-Tijana Boskovic (SER) 3,36 metros
2-Paola Egonu (ITA) 3,36 metros
3-Ting Zhu (CHN) 3,27 metros
4-Natália Zílio (BRA) 3,18 metros
5-Thaísa Daher (BRA) 3,16 metros
6-Kimberly Hill (EUA) 3,15 metros
7-Kim Yeon-koung (COR) 3,15 metros
8- Celeste Plak (HOL) 3,14 metros
9-Tiffany Abreu (BRA) 3,13 metros
10-Tandara Caixeta (BRA) 3,00 metros

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