Brasil

Tentativa de fuga em massa em penitenciária no Pará deixa ao menos 20 mortos

Grupo armado tentou invadir complexo Santa Izabel, na região metropolitana de Belém
Ao menos 20 pessoas morreram nesta terça-feira durante uma tentativa de fuga em uma cadeia na região metropolitana de Belém, no Pará, segundo informaram as autoridades locais. A tentativa de fuga em massa aconteceu no complexo penitenciário de Santa Izabel, confirmou a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), e foi organizada por um grupo armado que tentou entrar no local com armamento pesado. Em uma versão anterior deste texto, o número de mortos chegou a ser de 23, seguindo informação divulgada pela Segup.
Os mortos, segundo o G1 apurou são cinco presos, 15 pessoas que tentaram invadir o presídio para realizar a fuga e um agente penitenciário. Há ainda ao menos mais quatro agentes feridos, além de outros presos. Contudo a Segup não soube informar o número exato, por isso, a quantidade de mortos pode aumentar nas próximas horas.
Segundo as autoridades, homens armados tentaram invadir a prisão e foram apoiados por muitos dos presos que também tinham armamentos. Na tentativa de fuga, foram usados explosivos em um dos muros. A Segup também informou que os suspeitos de invasão tinham dois fuzis, três pistolas e dois revólveres. Um vídeo divulgado por uma televisão local, a TV Liberal, mostra presos sendo baleados quando tentavam fugir da prisão. Informações do Conselho Nacional de Justiça, divulgadas em fevereiro, revelam que o presídio estava super lotado.
Em entrevista ao jornalO Globo, o coordenador do núcleo de Política Penitenciária da Ordem dos Advogados do Pará (OAB-PA), Antonio Graim neto, disse que o estado têm mais de 14 mil presos com um sistema de casas penais lotado. "O centro de Recuperação Penitenciário é considerado o que recebe os detentos mais perigosos. Os presídios têm membros de facções que disputam poder e território na região metropolitana de Belém", afirmou ao jornal.
O incidente aconteceu um dia depois de uma onda de assassinatos que deixou um saldo de 12 mortos em Belém. Os crimes, que têm características de execução, aconteceram após a morte de um policial militar na capital paraense. Pelo encadeamento dos acontecimentos, especula-se que eles possam estar ligados.
A Segup informa que ainda não foi confirmada se houve ou não fuga de presos, mas agentes especiais da Polícia Militar foram enviados ao local para reforçar a segurança. O Governo já colocou investigações em andamento para descobrir quais grupos tentaram invadir o presídio para a fuga em massa e como houve a entrada de armas no complexo prisional.
Em janeiro de 2017, o Brasil registrou um dos episódios mais trágicos de sua história carcerária com mortes nas prisões nos Estados do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte, que causaram mais de 130 mortes. No Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) na cidade amazônica de Manaus, teve o pior saldo: 56 presos morreram em um confronto entre facções rivais, o que mostrou a grande influência delas dentro das prisões e deixou evidente a insegurança, a superlotação e as más condições do sistema penitenciário brasileiro.

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