Ceará

85% da carga de fruticultores estão presos; risco de perda de produtos

Paralisação de caminhoneiros tem impedido o transporte de produtos para outros estados brasileiros
As cargas que levam a produção do setor da fruticultura cearense e estão no meio das estradas do País correm o risco de serem totalmente perdidas com a continuidade do bloqueio das rodovias brasileiras.
Os empresários avaliam a situação como dramática e preveem que, sem a retomada imediata do tráfego dos caminhões nas estradas, o setor vai começar a amargar prejuízos.
De acordo com o CEO da Itaueira Agropecuária, Tom Prado, não foi escoada 85% da carga de melões e pimentões para o mercado nacional, direcionada principalmente aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Não está havendo exportação por conta da entressafra.
Prejuízo
"É um prejuízo enorme, uma vez que são produtos perecíveis. Há risco de perder toda a carga caso não volte à normalidade já na semana que vem", aponta o empresário. A situação é semelhante para a Agrícola Famosa, segundo o sócio-diretor da empresa, Carlo Porro. "Estamos com mais de mil toneladas de frutas em várias carretas paradas na estrada e a colheita da semana toda dentro da câmara frigorífica. Não tivemos prejuízo ainda porque nossas frutas têm uma vida útil. Mas (o bloqueio) tem que acabar", reforça o diretor. A carga inclui melões, melancias e bananas, entre outras frutas.
Exportação
Apesar da entressafra, parte da produção para exportação da empresa não conseguiu embarcar para a Europa nos navios para o Pecém por conta do bloqueio das estradas.
"Uma parte está em contêiner nas estradas e não conseguiu embarcar, mas conseguimos parar a maior parte, 200 toneladas, na nossa câmara frigorífica. Descumprimos contratos e isso sempre é um prejuízo, mas os europeus entendem o que é greve", explica Porro.
Entressafra
Ele aponta ainda que os prejuízos só não são maiores, na questão da exportação, por ser um momento de entressafra. "Se um evento desse acontecesse durante a safra da exportação seria um desastre, matava todo mundo", conjectura o empresário.
"É importante salientar que milhares de famílias vivem do agronegócio no Estado e em todo o País. Tem que se resolver isso imediatamente".
Prado disse avaliar como justa a reivindicação dos caminhoneiros e afirma esperar que o governo possa implementar uma melhor sistemática para precificar o combustível, mas aponta que as consequências do movimento já ultrapassaram o suportável.
Limite
"De nossa parte acreditamos que o limite chegou, concessões foram feitas e agora é a hora do movimento grevista recuar. Infelizmente não é o que estamos percebendo", disse.

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