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Campanha com o slogan Só tenha os filhos que puder criar gera polêmica

Secretária Municipal de Saúde, Fabiana Saldanha, defende que as pessoas opinem e se posicionem sobre o tema. Presidente do Conselho Regional de Medicina do RS diz que apoia a iniciativa e reforça importância de discutir planejamento familiar.
Uma campanha lançada pela Prefeitura de Quaraí, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, gera polêmica principalmente devido ao slogan adotado pela Secretaria Municipal da Saúde para abordar o tema planejamento familiar. Um outdoor foi fixado ao lado do hospital da cidade e um banner foi publicado na página da prefeitura no Facebook, com a frase "Só tenha os filhos que puder criar".
Conforme a secretária municipal da Saúde, Fabiana Saldanha, o objetivo da campanha era contribuir para a reflexão sobre o assunto.
"Num primeiro momento, a frase escolhida era mesmo para ser impactante, a intenção é essa, impactar para que não passe batido. Estamos buscando trazer essa discussão, para que ter filho seja um ato pensado, responsável."
A ideia surgiu em uma conversa entre a secretária e o ex-prefeito da cidade, Ricardo Gadret (Solidariedade), que renunciou ao cargo para concorrer às eleições. O vice Mário Raul da Rosa Corrêa assumiu. Segundo Fabiana, em novembro de 2017 já foi possível botar a campanha na rua.
Além do slogan principal, o banner diz: "Não tem condições emocionais, pessoais e econômicas? Pense bem antes de ter filhos! #AEscolhaÉSua". Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Matos, a campanha é bem-vinda.
"O Cremers vê com muito bons olhos essa campanha, que incentiva o planejamento familiar. Hoje o código de ética médica dá muita ênfase à autonomia do paciente, os médicos são obrigados a respeitar a maneira de pensar do paciente, por isso a campanha não tem nenhum problema, ela faz com que as pessoas pensem a respeito", afirma.
A campanha repercutiu ainda mais após a publicação de uma foto do outdoor no Facebook pela artesã Sinara Fernandez, de 50 anos, natural de Quaraí, que mora no Litoral Norte gaúcho. Em menos de 10 dias, o post superou a marca de 125 mil compartilhamentos, além de mais de 10 mil curtidas e 2 mil comentários.
Ela conta que estava na cidade para cuidar da irmã, que fez cirurgia, viu o outdoor ao lado do hospital e resolveu registrar, com o celular.
"Tirei a foto porque achei ótima essa campanha. É um exemplo a ser seguido por todos."
Mas nem todos os comentários nos posts da campanha são favoráveis. "Se todos tivessem acesso à educação e saúde de qualidade... A vida seria bem menos complicada. Quem é pobre não deve ter filhos?", indaga um dos comentários.
"Acredito que antes de fazer uma campanha dessas é necessário garantir acesso à saúde de qualidade para toda a população, além de investir numa campanha de conscientização a respeito de como se prevenir isso e aulas de educação sexual na escola", diz outra mensagem.
De acordo com a secretária da Saúde de Quaraí, seis meses depois de a campanha ser lançada, o objetivo foi atingido, apesar das polêmicas. Ela salienta que até mesmo outros municípios entraram em contato com a prefeitura para saber como tinha sido a receptividade e como havia sido realizada a campanha.
"Tinha gente que dizia que estávamos querendo controlar quantos filhos poderiam ter, mas nós não queremos isso, só buscamos promover o diálogo. A intenção não é esterilizar ninguém, mas que tenham conhecimento e possam escolher o método contraceptivo que vai usar ou se é o momento certo para ter filhos", diz Fabiana.
A promotora da Infância e Juventude de Porto Alegre, Cinara Vianna Dutra Braga, se diz favorável à campanha lançada em Quaraí. Ela avalia que a partir de uma frase forte é possível chamar a atenção das pessoas para um tema importante, e assim é possível orientá-las e educá-las.
"Eu parabenizo o município de Quaraí. É uma forma de educação, uma abordagem sobre o controle de natalidade, que as pessoas precisam entender que podem gerar tantos filhos quanto queiram, não acho que seja errado, mas devem saber quantas crianças podem prover. É impactante, mas é real", observa.

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