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Embaixada de Donald Trump desperta ira muçulmana

Os EUA abrem hoje sua embaixada na cidade sagrada de Jerusalém, sob forte aparato de segurança de Israel, em meio a protestos dos muçulmanos. A transferência oficial da sede da representação diplomática da cidade de Tel Aviv para Jerusalém, anunciada por Donald Trump em dezembro, ocorre uma semana após a Casa Branca romper acordo nuclear punindo o Irã, e Israel atacar o território sírio, elevando a tensão geopolítica no Oriente Médio.
Hoje o exército israelense dobrará suas unidades de combate em torno à Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada para lidar com manifestações palestinas contra a transferência.
Trump não comparecerá à inauguração da embaixada, mas sua filha Ivanka e seu genro e conselheiro Jared Kushner estarão presentes. Os palestinos consideram a parte leste da cidade como sua capital, e o anúncio de Trump causou indignação. A decisão americana também foi criticada pela maior parte da comunidade internacional.
Contexto
Os protestos na fronteira de Gaza prometem ser maciços, e o movimento islamita Hamas, no poder nesse enclave, afirmou que apoia qualquer tentativa dos manifestantes de romper as barreiras fronteiriças.
Para o sociólogo, professor e arabista Lejeune Mihran, a mudança da embaixada dos EUA para Jerusalém faz parte do compromisso de Trump com Israel - um gesto interligado com outras ações da Casa Branca no Oriente Médio, como a intervenção na Síria, as sanções ao Irã e o boicote aos grupos da causa palestina.
"Trump é pressionado pelos sionistas que o financiaram em sua eleição e também pelo complexo industrial e militar, que é muito poderoso. Ele tinha de dar uma resposta à comunidade interna", observa Mihram.
A inauguração da embaixada em Jerusalém coincide com os 70 anos da proclamação do Estado de Israel. Para o Mihram, os árabes chamam essa data de "Nakba", ou seja, o "Dia da Catástrofe", na tradução, em referência ao êxodo palestino, após confisco de terras e expulsões.
Mais de 130 membros da ONU reconhecem um Estado da Palestina, assim como o status de Estado observador não membro das Nações Unidas. Israel, EUA e vários países da União Europeia não o reconhecem
Já o sionismo, movimento que buscava o retorno dos judeus à Palestina, encontrou sua primeira expressão política em 1896. Um ano depois, o primeiro congresso sionista proclamou que "o sionismo aspira criar um lar na Palestina para o povo judeu". O antissemitismo e os ataques nazistas na Europa aceleraram a chegada dos judeus ao local, passando de 24 mil em 1882 para 47 mil em 1895.
"Os israelenses estão ligados pelo destino. Quando nossa existência é questionada, nos unimos", afirmou a professora Yedidia Stern, vice-presidente do Instituto de Democracia de Israel, um centro de debate.

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