Ceará

Competidor de sinuca é morto durante abordagem da PM

Uma tentativa de interceptar um automóvel, realizada pela Polícia Militar, terminou com uma pessoa morta e duas feridas, na madrugada de ontem, na CE-371, no trecho que corta o Município de Campos Sales, na Região do Cariri. A vítima do disparo fatal foi José Messias Guedes Oliveira, 35, competidor de sinuca paraibano, que seguia para um campeonato em São Luís, no Maranhão. A PM teria confundido o material do atleta com armas e atirou contra o veículo em que ele estava.
Outro homem, de identidade não revelada, que estava no carro junto a Messias Oliveira foi ferido de raspão na nuca, por um tiro. Já um terceiro passageiro do Toyota Corolla, branco, teve o joelho machucado por estilhaços dos vidros do automóvel.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a ocorrência teve início quando patrulhas da Polícia Militar foram acionadas para verificar uma denúncia anônima de homens em atividades suspeitas. Em entrevista ao Diário do Nordeste, Zezinho Gonzaga, representante da Federação Paraibana de Bilhar e Sinuca, e amigo das vítimas, afirmou que a confusão se deu após o denunciante ter dito que viu armas de grosso calibre dentro do veículo, enquanto, na realidade, era uma mala de tacos de sinuca.
Zezinho Gonzaga declarou que a as vítimas tinham descido para abastecer, quando a situação teve início. "Os nossos amigos, que estavam no carro e sobreviveram, disseram que pararam para abastecer e jantar. Alguém viu essa mala e confundiu com armas de fogo. Conhecia o Messias há 15 anos. Era um trabalhador e foi vítima da incompetência da Polícia. A falha foi grande", disse Gonzaga.
Abalado devido ao acontecimento, o condutor do Corolla, identificado como Gutiely Pereira de Araújo, considerou a morte de Messias Oliveira como resultado de despreparo dos policiais. "Estamos todos arrasados. Perdi um grande amigo, um irmão. A versão da Polícia nunca vai ser para incriminar a eles próprios, mas Deus é testemunha de tudo", afirmou.
Pereira disse também ter percebido que havia um outro veículo perseguindo o carro deles. No entanto, afirmou que não entendeu que se travava de uma abordagem policial, porque trafegava na velocidade e na faixa permitida. "Não cheguei a ver que eram policiais militares. Quando viram que eu não ia frear, começaram a nos alvejar. Depois do primeiro tiro, não pararam mais. Foi uma coisa horrível. Só comecei a gritar e baixei a cabeça", detalhou.
Gutiely Pereira relembrou o que aconteceu, logo após a abordagem. "Quando pediram para descer, coloquei as mãos na cabeça e deitei no chão, imediatamente. Só veio em minha cabeça gritar que a gente era cidadão e pais de família", descreveu. O outro ocupante do veículo era Josean Leite de Oliveira, atingido pelos estilhaços dos vidros.
Abordagem
Por nota, a Secretaria explicou que os militares avistaram o veículo suspeito, em deslocamento pela CE-371, na contramão. Policiais teriam relatado que ao atender a ocorrência, viaturas iniciaram uma perseguição aos ocupantes do Corolla e ligaram sinais sonoros. A Pasta informou que o automóvel não reduziu a velocidade e também não parou no Posto Rodoviário Estadual de Campos Sales.
Os militares teriam solicitado apoio de outras viaturas para montar um bloqueio policial na entrada do Município, mas o carro teria sido acelerado em direção às viaturas e, neste momento, os policiais atiraram.
"Após os pneus terem furado, por conta dos disparos, a fuga foi interrompida. Os militares realizaram aproximação e abordaram os suspeitos. Dois homens foram atingidos pelos disparos. Um passageiro ficou ferido de raspão e foi conduzido para uma unidade hospitalar. Outras duas pessoas estavam no carro", disse a SSPDS na nota. Quando revistado, não foi encontrada nenhuma arma no carro.
Apuração
Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, foi instaurado um inquérito policial na Delegacia Municipal de Polícia Civil de Campos Sales, para apurar as circunstâncias da ocorrência que vitimou o atleta.
A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), responsável pelos casos que envolvem policiais e agentes penitenciários, informou ter determinado instauração do competente procedimento disciplinar, para devida apuração na seara administrativa do caso.

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