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Promessas: Candidatos apresentam propostas que soam impossíveis de realizar

| Promessas | Boa parte das proposições dos candidatos parece impossível de se realizar. Falta estudo de viabilidade técnica e financeira
Vai campanha eleitoral, vem campanha eleitoral, a cada dois anos no Brasil, e a maior parte dos planos de governo dos candidatos ao Executivo segue sem ser levada a sério na disputa pelos votos do eleitor. A maior parte dos documentos entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no ato da solicitação do registro da candidatura, é um conjunto de ideias mal acabadas e sem estudo de viabilidade. Outras medidas chegam próximo à categoria de mirabolantes ou são, simplesmente, vazias.
Com objetivo de conquistar a confiança do eleitor, promete-se o impossível. Há propostas sem o conhecimento da realidade de País, Estado e Município. A série de sabatinas realizadas pelo O POVO com os candidatos ao Governo do Ceará explicitou a fragilidade das promessas trazidas por quem quer chefiar o Palácio da Abolição pelos próximos quatro anos e a crença e que os problemas poderão ser resolvidos em um passe de mágicas.
Sem ir muito longe, e consultando as propostas mais tresloucadas, é possível identificar promessas de elevar o salário mínimo a R$ 3.804,06, assim como elevar os vencimentos dos aposentados conforme prevê o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Com a economia ainda sofrendo impactos da recessão, a medida seria impossível de se realizar, gerando demissões e o fechamento de empreendimentos.
Há promessas, como por exemplo, de aumentar "a moral" da tropa de policiais cearenses, além de reduzir e extinguir cargos comissionados da estrutura administrativa do Estado sem apontar quais são e prever os impactos que terão na rotina da população com a execução da medida.
Em um dos planos de governo, há a previsão da diminuição do tempo necessário para se aposentar, com 30 anos de contribuição para os homens e 25 anos para as mulheres. Além da medida prejudicar as contas públicas, é atribuição do Governo Federal em articulação com o Congresso Nacional, e não uma política de Governo do Estado.
Há, ainda, a promessa de inserção de programas que "elevem a autoestima" da população, quando na verdade há urgências em políticas de segurança pública, saúde e educação.
Apenas o programa do candidato Ailton Lopes (Psol) informa que o conjunto de medidas apresentadas parte de diálogo com setores do Estado e que, portanto, foi produzido a várias mãos. O candidato General Theophilo (PSDB), por outro lado, apresenta metas mais claras ao eleitor. Se for eleito, é mais palpável a cobrança, por parte do eleitor, caso não consiga entregar em quatro anos de governo as promessas feitas na campanha.
O candidato à reeleição Camilo Santana (PT) reforça a continuidade de programas que já implementou e aponta a criação de novas medidas em quase todas as áreas de governo. No entanto, não estipula metas, não diz em quanto tempo vai executar a promessa nem o que exatamente vai realizar. A avaliação de fim de governo, em caso de reeleição, fica entregue a subjetividades políticas.
Embora bem intencionados, os candidatos Hélio Gois (PSL), Mikaelton Carantino (PCO) e Francisco Gonzaga (PSTU), que apontam o programa de governo principalmente para a periferia do Estado, não apresentam noção no conteúdo das propostas. Não há conhecimento do funcionamento da máquina do Estado nem projeto de execução com a estrutura que o Ceará tem atualmente.
NÚMEROS
6 candidatos disputam o Governo do Ceará em 2018

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