Ceará

Prisão de líderes leva Polícia a cadastro de novos membros de facção

Celular apreendido com homem que gerenciava a adesão de novos integrantes à GDE continha fotografias e informações de 343 recém-ingressos à organização criminosa.
Os criminosos, cada vez mais, surpreendem a Polícia e a sociedade com o nível de organização. Através de uma prisão realizada durante a série de ataques ao Estado e à propriedade privada, a Polícia Civil chegou a uma lista de cadastro dos novos membros da facção Guardiões do Estado (GDE), presentes em diversas regiões do Ceará.
A reportagem apurou que o Departamento de Inteligência Policial (DIP) encontrou, na última terça-feira (29), um total de 343 imagens de recém-ingressos à organização criminosa, no celular de Antônio Cristiano de Andrade Costa, o 'Centenário', 24. Cada fotografia representava um cadastro, com o nome completo, apelido, local de atuação, nome dos padrinhos dentro da facção, data de adesão e contato.
'Centenário' é uma espécie de "departamento pessoal" da GDE, ou "Geral do Cadastro" - como é chamado, com a função de catalogar os integrantes e acompanhar a entrada deles na facção. Ele foi preso por policiais civis, em sua residência, no Conjunto Alameda das Palmeiras, bairro Pedras, em Fortaleza, na manhã do último dia 24 de janeiro, por suspeita de participar de um ataque a um posto de combustíveis no bairro Jangurussu e coordenar outras ações criminosas na região.
O faccionado foi levado à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), onde foi autuado por organização criminosa. Em depoimento, ele confessou ligação com a GDE e participação na análise de possíveis novos integrantes e no "batismo" dos mesmos na facção. Para otimizar o trabalho, 'Centenário' possuía um grupo na rede social WhatsApp com o nome de "Cadastra bem sua loja" e anotava todas as adesões ao grupo criminoso em um caderno.
Ingresso
Todas as imagens foram recebidas por 'Centenário' já em 2019, o que faz a Polícia acreditar que os Guardiões do Estado arregimentaram as centenas de novos membros para confrontar o Estado. Entre os recém-ingressos há homens e mulheres, presos e soltos, principalmente jovens até 24 anos - mas há também um homem de 41 anos.
A investigação descobriu que, para ingressar na facção, o procedimento é rápido: basta o interessado passar informações pessoais básicas com a fotografia para ser avaliado pelo restante do bando, na rede social. Se ninguém for contra, o "batismo" é dado no dia seguinte. Mas se a pessoa tiver passado por outra organização criminosa, tem de enviar um vídeo fazendo um juramento à GDE e "rasgando a camisa" da facção antiga.
A GDE nasceu de uma torcida organizada de futebol, no bairro Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, no ano de 2015, e se caracterizou por arregimentar dissidentes da organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) que não queriam mais pagar a 'cebola' (taxa por pertencer à facção).
Explosivos
'Centenário' também é suspeito de manusear e negociar explosivos para ações criminosas. Após a prisão do "Geral do Cadastro" da GDE, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgou a detenção de oito suspeitos de envolvimento em ataques com uso de explosivos, no último dia 25 de janeiro.
Entre os presos estavam Milene Constantino dos Santos e Ackel Jarley Bezerra Ferreira, o 'Pantera', esposa e "braço direito", respectivamente, de Daniel Belmiro José Rodrigues, o 'Negão', líder da facção carioca Comando Vermelho (CV) que já estava detido no Sistema Penitenciário cearense e foi transferido para um presídio federal de segurança máxima, por ordenar ataques criminosos.
Segundo a investigação da Draco, 'Negão' foi o comprador da carga de 5,7 toneladas de explosivos roubada em Aquiraz, em 21 de dezembro do ano passado. Milene e 'Pantera' guardavam a carga. Preocupado com a transferência do chefe e a dificuldade de comunicação, o seu "braço direito" chegou a pedir para Milena assumir o negócio - mas a Polícia interceptou antes.
A carga quase completa (5,6 toneladas) foi apreendida pela Polícia em um depósito no Jangurussu e em uma residência na Granja Lisboa, entre os dias 12 e 16 de janeiro último. Uma pequena parcela dos explosivos já tinha sido utilizada para atacar equipamentos públicos e aterrorizar a população. A Polícia Civil acredita que, além de utilizar o material em ataques, o CV também vendeu à rival GDE.
Diário do Nordeste

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